ESQUIZOFRENIA

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ESQUIZOFRENIA BREVE CONSIDERAÇÃO


A esquizofrenia é uma doença que se caracteriza principalmente pela perda do contato do paciente com a realidade. É um severo transtorno cerebral e está no grupo de doenças causadas por diferentes fatores.

Defender que existem várias esquizofrenias não é uma ideia nova e podemos compará-la com o câncer, que são várias enfermidades com características similares e que aparecem em locais distintos do corpo.

A esquizofrenia poderá se apresentar de forma gradativa, não permitindo às pessoas próximas nem mesmo ao paciente perceber que algo não vai bem, ou por outro lado, poderá se manifestar em poucos dias ou semanas causando espanto a todos que cercam de perto a pessoa afetada.

Os principais sintomas do surgimento da esquizofrenia são a falta de concentração, que pode prejudicar os estudos e o trabalho, estados de tensão sem causa aparente, insônia e isolamento social.

Com o surgimento da psicose, o paciente começa a ter alucinações e facilmente será constatado o surgimento de um estágio mais avançado e aparente da doença. Desta forma, o paciente passa a sofrer também com ilusões e delírios, reduzindo claramente sua compreensão do que é real.

Por ser uma doença inexorável, o diagnóstico precoce não irá “prevenir” a esquizofrenia. As medicações indicadas ao paciente diagnosticado irão controlar parcialmente os sintomas e não curá-los. Em alguns casos, poderá acontecer a remissão espontânea da doença, mas essa remissão não estará diretamente relacionada ao uso de medicação e/ou atendimento profissional.

O tratamento da esquizofrenia consiste basicamente no acompanhamento terapêutico (AT) e tratamento medicamentoso à base de antipsicóticos. Como é considerada uma doença mental crônica, o paciente poderá carregar sequelas e sintomas ao longo de sua vida, exigindo da família e das pessoas próximas um papel fundamental no tratamento e acompanhamento. 

 

A ESQUIZOFRENIA E SUA RELAÇÃO COM DANTE (Felipe Kannenberg)

 

NO FILME “MENOS QUE NADA”

 

 

 

No filme “Menos que nada”, o jovem Dante está internado em um manicômio com o diagnóstico de esquizofrenia, quando sofre um surto psicótico no corredor do hospital e chama a atenção da médica residente - Dr. Paula, que a partir dessa data preocupa-se com a situação e o toma como paciente.

 

Inicia-se assim uma investigação por parte da médica sobre o porquê de Dante está abandonado naquela situação e sem nenhuma perspectiva.

 

Durante suas investigações, a médica diminui a medicação de Dante a fim de que ele pudesse se recordar de alguns fatos que poderiam explicar sua entrada, estadia e permanência no manicômio, além da evolução de seu estado clínico. Com isso, consegue do paciente algumas dicas que a ajudam a montar o quebra-cabeça de uma vida.

 

No filme, fica claro que o paciente passa por algumas situações de pressão, em uma delas perde os holofotes de uma descoberta na área da paleontologia para uma ambiciosa cientista (René). Com baixa resistência a essa perda e devido à pressão vivida por ele naquele momento, Dante tem um surto e, ao ser internado, recebe o diagnóstico de esquizofrenia.

 

Mas teria sido no surto o início da doença?

 

A trajetória do filme deixa claro que não, pois até mesmo antes de aparecerem os primeiros sintomas visíveis da esquizofrenia - surtos, delírios, alucinações, tensão - Dante já aparentava ser diferente, principalmente após a morte precoce da mãe quando ele ainda era um garotinho.

 

No filme, Dante aparece sempre muito retraído, fechado, sem muitas amizades e, em alguns momentos, mostra-se obcecado por algumas ideias, como a paixão repentina por René.

 

A fase de pressão por ele vivida foi apenas a porta de passagem para tudo que estava sendo reprimido em seu inconsciente ao longo de sua vida.

 

Diante do quadro de alucinações, delírios e ilusões, no momento em que está internado, é perceptível que ele passa por momentos de repressões, decepções e frustrações, nos quais esteve envolvido durante anos. Talvez isso tenha se dado como uma tentativa de reviver os fatos de forma menos frustrantes ou na perspectiva de tentar refazer caminhos na ânsia de encontrar um desfecho menos doloroso para si mesmo.

 

A médica não consegue avanço significativo com Dante e o desfecho do filme revela a triste realidade da ciência contemporânea frente a algumas doenças como a esquizofrenia, que se torna pela complexidade um desafio tanto para pacientes como para profissionais da área da saúde. Ambos precisam aprender a lidar com os transtornos mesmo sabendo que o conhecimento que possuem sobre a evolução e tratamento dessas patologias significa muito pouco, ou talvez, assim como no enunciado do filme “Menos que nada”.