O CONCEITO DE REPRESENTAÇÃO SOCIAL

O CONCEITO DE REPRESENTAÇÃO SOCIAL NA ABORDAGEM PSICOSSOCIAL 


Segundo uma definição tradicional, as representações sociais poderão ser entendidas como modalidades de conhecimento prático voltadas para o entendimento social. São socialmente elaboradas e possibilitam a comunicação dos grupos sociais a partir de suas funções simbólicas e ideológicas.

As representações sociais fazem parte das explicações teóricas da Psicologia Social e formam um elo com outras disciplinas, como a História, Filosofia, Sociologia e da Psicologia Cognitiva, tornando-asum campo transdisciplinar. Por essa característica transversal, podemos observá-las nos fenômenos individuais e coletivos e, conforme o nível de análise, temo-las em um contexto interdisciplinar e transdiciplinar.

Segundo Jodelet (1989 a), poderemos observar as representações sociais segundo dois eixos distintos. No primeiro, surgem explicitamente através da comunicação e para o entendimento do mundo. Já no segundo eixo, aparecem como construção de sujeitos sociais por meio de objetos valorizados socialmente. 

Entre as correntes mais tradicionais, as representações sociais aparecem como forma de conhecimento prático da realidade e das construções sociais, inserindo-se mais especificamente entre as correntes do senso comum e se mostrando como conhecimento legítimo e indispensável para a construção, desconstrução e reconstrução dos fenômenos sociais.

No campo da Sociologia do Conhecimento formulado por Scheler na década de 20, a ideologia não poderá ser vista como mistificação e sim como ferramenta de dominação, poder e interesses dentro de uma perspectiva científica.

Entre os movimentos de explicação das representações sociais, algumas abordagens passam a englobar o conhecimento do homem comum e o que está em pauta é a desmistificação da teia de ideias que está cotidianamente imposta a nós. Ou seja, não seria a reabilitação do senso comum, mas sim uma forma de usá-lo como conhecimento válido no entendimento dos fatos sociais.

Então, podemos observar o sujeito como sujeito social e que não está preso somente ao produto final produzido pela sociedade, pois é parte indispensável na produção e construção das representações sociais. Ao mesmo tempo em que trabalha individualmente na produção dos efeitos sociais é parte indispensável no coletivo que os produz e os transmite socialmente.

No estudo das representações sociais, dois fatores são de suma importância para sua compreensão, quais sejam: o posicionamento na relação indivíduo e sociedade, no qual o sujeito é um mero produto social; e, no voluntarismo puro, no qual percebemos o sujeito como agente livre dessas intervenções abrindo espaço para a subjetividade do indivíduo social e, ao abrir espaço para subjetividade, abre terreno também para as expressões cognitivas e para o afeto. Dessa forma, podemos entender as representações sociais como interpretações da realidade de forma coletiva e também de maneira individual por meio da subjetividade do sujeito social.

Alguns pressupostos as inserem em correntes pós-modernas e seguem uma classificação de abordagem Psicossocial, por se tratar de um campo do conhecimento transdisciplinar numa tentativa de superar a dicotomia entre sujeito e sociedade e entre psicologismo, que trata da avaliação do estado mental do indivíduo, e sociologismo, que aborda as conseqüências dos processos do conhecimento social, sem levar em consideração o estado mental individual do produtor.

Assim sendo, se não forem desmistificados tais conhecimentos superficiais, o psicólogo poderá cometer o erro de não levar em consideração fatores sociais como desencadeador dos processos mentais, enquanto o sociólogo poderá se equivocar em suas avaliações se não levar em consideração fatores mentais e subjetivos dos indivíduos nos processos que ocorrem nos grupos sociais e, consequentemente, na sociedade em geral.

A Psicologia Social surge como forma de estabelecer uma conexão entre os saberes da Psicologia e da Sociologia, pois se verifica a indivisibilidade de questões sociais e mentais ao estabelecer o conhecimento social e o entendimento dos processos subjetivos nos grupos sociais.

Estes campos estruturados só podem ser compreendidos dentro das representações sociais se levarmos em conta a importância da junção de tais objetos na construção do entendimento dos processos coletivos.

As representações sociais dentro do contexto das comunicações sociais são entendidas como estruturas dinâmicas e é esta característica que as distingue das representações coletivas e culturais. É justamente esta propriedade que as aproximam das modernas análises de discurso que mantém uma relação próxima entre discurso (linguagem) e ação, e nos possibilita observá-las nos contextos sociais a curto e longo prazo. 

Em um contexto social de longo prazo, no qual pode ser denominado imaginário social, está um conjunto cumulativo de produções culturais erguidos pelo homem ao longo do desenvolvimento da espécie.

Essas produções, que são filtradas pelas representações seguindo a época histórica, poderão também ser reinventadas ou interpretadas de maneira diferente, observando os hábitos dos grupos sociais conforme cada época, nos quais serão alimentadas e fortalecidas pelas forças culturais e científicas inseridas na sociedade. 

Entre as forças culturais, voltamos para o ponto do senso comum que será entendido como saber auxiliar no entrosamento dos processos sociais por sua diversidade implícita, sem abrir mão do conhecimento epistemológico e científico.

Assim, a busca pelo entendimento dos processos sociais e das representações sociais parte tanto para o juízo comprovado e científico, quanto para a diversidade das alegações do senso comum, pois não conseguimos fechar tais entendimentos em um conchavo de verdades pré-estabelecidas, mas precisamos apoiá-los de forma multilateral, fugindo do erro da dicotomia.

Essas diversidades e contradições no entendimento das representações sociais nos induz a entendê-las levando em consideração não apenas a análise conteudistas, mas por sua funcionalidade no âmbito social, observando seus principais objetivos ou funções dentro da sociedade, que são a proteção e legitimação de identidades sociais (Função Social), proteção e legitimação de identidades sociais (Função Afetiva) e a familiarização com a novidade social (Função Cognitiva).

 

REFERÊNCIAS:

Cad. Saúde Pública vol.9 no.3 Rio de Janeiro July/Sept. 1993

 

           Artigo: O Conceito de Representação Social na Abordagem Psicossocial - Mary Jane P. Spink

 

        Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.