ALTERAÇÕES NA ESQUIZOFRENIA

psicologia

 

ALTERAÇÕES COGNITIVAS DA ESQUIZOFRENIA


A esquizofrenia altera de forma relevante as percepções cognitivas nas pessoas doentes. Para chegar a tal conclusão, foram feitos estudos de testagem com pessoas que sofriam do transtorno cerebral esquizofrênico com o objetivo de avaliar os domínios cognitivos dos pacientes.

Os principais domínios medidos foram: velocidade motora, memória de trabalho, atenção, solução de problemas e fluência verbal.

As principais alterações percebidas com os resultados dos testes foram nas áreas de:

  • Velocidade de processamento;
  • Atenção/Vigilância;
  • Memória de trabalho;
  • Aprendizado verbal e memória;
  • Aprendizado visual e memória;
  • Raciocínio / Solução de problemas;
  • Cognição Social.

As alterações cognitivas apresentadas nos testes de pacientes com o transtorno esquizofrênico têm elevada prevalência e gravidade em comparação aos resultados dos testes com pessoas que não apresentam o transtorno. Foi verificado que entre os pacientes esquizofrênicos analisados cerca de 80% deles apresentavam grau elevado de alterações cognitivas.

Connon et al., em 2002, identificaram a precocidade do surgimento das alterações cognitivas, que podem estar presentes em indivíduos mesmo antes do aparecimento dos primeiros surtos psicológicos e acentua-se nos primeiros cinco anos de surgimento da doença, tornando-se estáveis no decorrer do tempo. As alterações cognitivas presentes na esquizofrenia aparecem também mais acentuadas do que as alterações cognitivas presentes em outras doenças afetivas, como no caso do transtorno bipolar, transtorno esquizoafetivo, depressão maior, psicoses afetivas entre outras.

As alterações relacionadas com a esquizofrenia parecem estar diretamente relacionadas com disfunções neuronais, pois estudos em pacientes esquizofrênicos mortos não apontam perda neuronal, embora o volume cerebral seja reduzido em comparação com pessoas saudáveis. Essa redução do volume bilateral do lobo frontal não indica lesões neuronais.

Por meio de análises de neuroimagens foi possível identificar áreas do cérebro que são mais atingidas com as alterações geradas pela esquizofrenia, por isso psicofarmacos podem ter "alvos" estabelecidos e assim obter melhor resultado no tratamento medicamentoso.

Além dos psicofarmacos, o tratamento da esquizofrenia consistirá em acompanhamento terapêutico, pois por ser uma doença crônica é muito importante o acompanhamento e apoio da família e das pessoas próximas ao paciente.

Com o avanço de estudos voltados para o tratamento da doença, espera-se que em breve novas abordagens terapêuticas e medicamentosas possam servir para a redução de tais alterações cognitivas e, assim, oferecer mais qualidade de vida para a pessoa com esquizofrenia em seus variados graus.

 

REFERÊNCIAS:

 

Razzouk D, Shirakawa I. A evolução dos critérios diagnósticos da esquizofrenia. In: Chaves A, Shirakawa I, Mari JJ, eds. O desafi o da esquizofrenia. São Paulo: Editora Lemos; 2001. p. 15-23. 

 

Sternberg RJ. Inteligência humana e artifi cial. In: Sternberg RJ. Psicologia cognitiva. Porto Alegre: Artes Médicas; 2000. p. 399-428. Traduzido por MR Borges.