DESABAFO DE UM PROFESSOR

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DESABAFO DE UM PROFESSOR
 

Hoje acordei diferente, com minhas esperanças renovadas...
Afinal... Hoje é meu dia!
Um dia que criaram para homenagear aqueles que passam a vida em busca de ensinar um pouquinho do que aprenderam com duro pesar.
Uma data especial: Dia do Professor!
A homenagem está valendo, mas de presente o que eu realmente queria era poder, a partir de agora, trabalhar sem me preocupar tanto com o futuro das crianças e jovens do meu país.
Que eles tivessem, sem exceção de raça, cor ou posição social, acesso a uma vida digna, com oportunidades de trabalho, ascensão social e, principalmente, que fossem assistidos pelo direito de escolha e, é claro, que no final, escolhessem sem fraquejar pelo bem comum, pelo bem próprio, pelo bem de todos.
 
Mas, infelizmente sou obrigada a assistir o inverso acontecer no meu dia-dia:
 
• Sonhos sendo destruídos pela violência;
• Crianças e adolescente tendo sua dignidade violada pelo consumo de drogas e álcool;
• Famílias desestruturadas que criam em seus seios jovens cheios de rebeldia e ânsia de vingança, que querem se vingar de um mundo que não lhes garantiu o básico para a sobrevivência;
• Alunos equipados com palavras que se transformam em navalhas que me corta em mil pedaços ao ouvi-las;
• Meninos e meninas que veem na criminalidade a oportunidade de se equilibrar perante os desníveis de uma sociedade tão desigual.
 
A falta de esperança que norteia suas atitudes me leva a um nível maior de responsabilidade, pois me vejo como um ser desmistificador de opiniões equivocadas, como agente modificador de tal realidade.
Imbuída de tal missão, sigo meu labor. Sonhando com o dia em que crianças não irão armadas para escola, dia em que o material didático e muito amor serão a única bagagem que elas carregarão.
Nesse momento, terei a certeza de que nossos jovens não precisarão de entorpecentes para fugir da realidade, poderão encará-la de frente, com orgulho de serem brasileiros.
• Cabe a mim, então continuar com a tocha acessa pela arte de ensinar, vendo na educação uma ferramenta que lapida diamantes brutos;
• Cabe aos pais renovarem suas forças na criação dos filhos, pois neles está o futuro de nossa nação;
• Cabe ao Governo se atentar para programas que viabilizem o acesso ao sistema educacional para todos;
• Cabe à sociedade lutar pela melhoria de condições sociais à juventude descrente, que na verdade só precisa de um farol que mostre novamente a direção a ser seguida.

Por isso, hoje, posso dizer:
Tenho orgulho em fazer parte desse farol,
que ao brilhar aponta para um novo caminho...
Tenho orgulho em ser professor!