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Dádiva

DadivaDÁDIVA

És minha dádiva!

Ganhei-te de presente ao nascer.

Meu primeiro vício!
Deslumbrava-me ao te ver.

És única, és fábula!
Encanto, magia, ternura.

Procuro em mim traços que me levam a ti e, por
vezes, encontro-te nos meus gestos e atitudes.

Trazes contigo o alívio imediato e necessário aos
meus medos e receios de criança que se perpetuam
mesmo que em fase adulta.

És o bem maior que tenho, pois através de ti é que
passo a existir.
Sinto-me como a continuidade da tua existência,
talvez de forma autônoma, mas que anuncia tudo
que és.

Meu ponto de partida que não me deixa ao léu.
Tudo resolve com tua voz de candura.
Tudo entendes através de tua adquirida experiência
inquestionável.

Minha referência desde que fui plantada em teu
ventre.
Formaste-me!
Acalantaste-me!
Educaste-me!
Encheste-me de esperança por um mundo melhor!

Hoje ainda busco por este afago, aquele
insubstituível, inconfundível e insuperável.

Quando me abraças é como se estivesses de volta
ao ninho em que me formei. Posso ali protege-
rme no calor de suas penas.

Como agradecer-te por produzir em mim o fôlego
da existência?

Como poderia superar tua entrega ao abrir mão
de tudo para me amparar, para me cuidar?

És tão pura em tuas atitudes.
Tão límpida diante de um mundo por vezes tão
covarde.

Quero ser igual a ti!

Doar-me por minha semente.
Renunciar-me por meu rebento.
Aniquilar meus anseios em prol de meus
descendentes.

Talvez fracasse...
Talvez consiga...

Mas no meu peito vão as lembranças daquela que
me deu a vida:
Mãe, uma força maior que por mim jamais será
esquecida.