AUSÊNCIA

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AUSÊNCIA

 

Foi-se há muito minha inspiração e, ao partir de mim,

Com olhos em águas, desaguou-me a própria alma.

Despi-me de mim e perdi-me ao procurá-lo.


No escuro da sombra de quem se foi a penumbra se formou,

Embaçando meu entendimento e afastando meu pronto discernimento.


Tudo levaste quando partiste daqui.

Desnundou-me de defesa e de destreza,

Destruístes a casca que era eu.


Colocou-me na frontaria do vazio que preenche agora meu ser:

Menina recém-nascida,

Sem caráter moldado,

Nem personalidade formada,

Sozinha, perdida nesse vão, nessa ânsia.


Tentando remontar-me em meio à perda,

Em meio ao véu que encobre minha visão,

Mesmo que em outrora, já ofuscada em só a ti querer ver,

Nublada na ilusão de ter sido amada da forma como amei.